terça-feira, 17 de julho de 2012

POVO PANKARARU

De acordo com os dados censitários da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) e do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) de Pernambuco, a população Pankararu é de 4.850 indivíduos distribuídos em treze aldeias. É uma população que sofre, como todos os sertanejos-camponeses, do impacto das secas cíclicas e dos movimentos climáticos do semi-árido nordestino. As terras dos Pankararu localizam-se entre a Serra Grande e a Serra da Borborema, próxima às margens do Rio São Francisco, no limite dos municípios de Petrolândia, Tacaratu e Jatobá. Desde 1931 os Pankararu encontram-se em um contínuo processo de negociação com o Estado sobre suas terras e na busca de projetos econômicos de subsistência. Todavia, os Pankararu só foram reconhecidos pelo Estado brasileiro em 1938 e, assim como os demais povos indígenas de Pernambuco, passaram por momentos históricos de dificuldades e conflitos fundiários.
Segundo Cunha (1992), a Lei de terras do império de 1850, permitiu a incorporação das terras de índios que viviam dispersos e posteriormente sua redistribuição. Essa redistribuição das terras indígenas provocou uma dinâmica de reorganização dos espaços territoriais em todo sertão de Pernambuco. No entanto, em 1857 a comissão de demarcação das terras públicas, quando inicia o processo de expropriação das terras indígenas, ainda registra o aldeamento de Brejo dos Padres, como lugar histórico e social de referência para os Pankararu.
Apesar da tradição oral dos Pankararu relatar que suas terras, quatro léguas em quadro de terra (aproximadamente 24.000 ha.), foram concedidas pelo Imperador Pedro II e dos inúmeros registros em documentos oficiais que confirmam a doação, as terras Pankararu só foram identificadas em 1940 pelo Serviço de Proteção ao Índio (SPI), porém, das quatro léguas reivindicadas, apenas 14.294 ha. foram reconhecidas como terra Pankararu. No entanto, apenas 8.100 ha. foi demarcada em 1996, e recentemente, em 2003 foi iniciado o processo de demarcação do restante, ou seja, 7.800 ha (Athias, 2002). Ainda nas palavras de Athias (2002), um outro fator de conflito relacionado às terras Pankararu foi a construção da Usina Hidroelétrica de Itaparica, que viria proporcionar novas invasões por não-índios nas terras Pankararu e acirrar os conflitos agrários na região, nas décadas de setenta e oitenta. As cidades de Petrolândia/PE e Glória/BA foram atingidas diretamente. Tiveram seus núcleos urbanos totalmente submersos e mais de cinco mil famílias de trabalhadores rurais desalojadas na região. Foi esse movimento populacional que fomentou as mais recentes invasões na Terra Indígena. Em 1984, um Grupo de Trabalho da FUNAI foi enviado à área para promover estudos para identificação e levantamento fundiários. Este trabalho constatou, além da continuidade dos conflitos pela posse da terra, a estimativa da presença de 540 posseiros. A terra então foi demarcada com 14.294 ha. (excluindo uma faixa de terra para expansão da cidade de Tacaratu, com aproximadamente 106 ha.), ratificando assim parte da doação de quatro léguas em quadra para os índios e corrigindo a alteração realizada pelo SPI (Serviço de Proteção aos Índios) em 1940, que havia reduzido a área.
Aqui é importante lembrar a discussão acerca da problemática da terra, especificamente no caso dos índios no Nordeste e em todo o Brasil, porque reflete a capacidade que a terra possui no intuito de assegurar a sobrevivência e a continuidade étnica destes povos. Assim, a terra é de extrema importância na organização social dos Pankararu.
Nesse sentido, Athias (2002) chama atenção de que os Pankararu se distribuem basicamente segundo duas classificações, os troncos e as aldeias, ambas relacionadas com a organização das famílias.Quando falam “tronco” ou “ramas” estão indicando uma classificação histórica do aparecimento das famílias, porém quando se referem às aldeias está nitidamente embutido no discurso uma classificação espacial das famílias.
A classificação dos grupos de famílias em status diferentes, através da sua ligação a “troncos” familiares que se dividem entre os antigos e os recentes, opera uma dicotomia básica entre aqueles que descendem de índios “puros” e os que descendem de índios “misturados” ou “braiados”, em referência a uma forma de organização que é mais histórica que estrutural, já que não correspondem a qualquer produção de segmentações, classes ou linhagens (Arruti, 1996). Dessa forma, a classificação de uma família está diretamente vinculada ao convívio social cotidiano. É este convívio que influencia na definição das famílias a quem se pede ajuda, a quem se acompanha nas definições políticas, com quem se planta, perto de quem se mora e com quem se compartilha a comida e o trabalho da “farinhada”.
Assim, a organização das famílias está diretamente ligada à disposição espacial das casas que se distribuem segundo duas maneiras: agrupadas lado a lado, ou em grupos de casas de uma mesma família, cuja disposição tende à forma circular (Athias, 2002).


Entre os principais rituais e festas celebradas nas comunidades Pankararu podemos citar o Atucá, um ritual onde os mais antigos e entendidos membros do grupo bebem ingerem uma bebiba chamada Jurema a fim de entrar em dialogo com os encantados, que na crença dos Pankararu são seres sobrenaturais que quando invocados protegen e aconselham os Pankararu.
Em seguida podemos citar o ritual do menino do rancho que, embora receba a conotação de “festa” pelos Pankararu, pode aqui ser mais bem definida como um ritual, pois esta festa é também um rito de passagem onde os mais jovens são introduzidos nos segredos dos Pankararu.
O Toré também é um importante ritual dos Pankararu. O Toré é tido como uma “brincadeira” pelos Pankararu, por ser uma festa que reúnem todos os participantes do grupo, além dos mesmos também terem liberdade de tocar e cantar qualquer uma das músicas Pankararu sem nenhuma restrição.
Por último se destaca a festa do imbu que além de ser um evento ritualístico, onde importantes rituais são realizados (entre eles podemos citar a noite dos passos, o flechamento do imbu e a queima do cansanção), também pode ser considerado uma festividade, já que no final deste mesmo evento vários rituais coletivos e aglutinadores ocorrem a fim de que todos cantem e celebrem em conjunto como ocorre no Toré.
Entre os principais políticas de serviços de saúde oferecidos pelo poder púbico aos Pankararu podemos iniciar citando a implementação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) um subsistema do SUS (Sistema Único de Saúde). Inicialmente discutidos em 1993 na segunda CNSPI (Conferência Nacional de Saúde para os Povos Indígenas) pelos movimentos indígenas e pelos profissionais na área de saúde a atuar com esses povos. Porém, somente em 1998 através da FUNASA (Fundação Nacional de Saúde) os 34 DSEI foram implantados. No mesmo ano também foi criada a Associação dos Profissionais de Saúde Pankararu (APROISP).
Em abril de 1999 após amplas reuniões no terreiro do cacique João Binga com diversas lideranças das treze principais aldeias Pankararu, juntamente com os profissionais da área de saúde, ficou decidido que as próprias comunidades deveriam acompanhar as formas de organização dos serviços de saúde a fim de garantir a plena autonomia dos mesmos, e em dezembro do mesmo ano foi criado o conselho nacional de saúde, onde foi apresentado a FUNASA o planejamento das ações de saúde para cada área especifica. Em Pernambuco o Conselho Local Pankararu, além de ter sido o primeiro a ser implementado foi também o primeiro a ser o centro das negociações a respeito da implementação do DSEI-PE. Atualmente o DSI-PE compreende um total de dez etnias indígenas.
No que se refere à vida política, a interação com os municípios vizinhos e a negociação de políticas públicas dos Pankararu podemos dizer que a dinâmica de suas relações políticas traduz as tensões existentes nas diversas aldeias. Além disso, o fato das terras Pankararu estarem localizadas nas áreas de três municípios, Petrolândia, Tacaratu e Jatobá, também contribui para esse quadro.
Podemos enumerar as principais queixas das lideranças indígenas no que se refere à saúde, por exemplo: 1) as contratações que seguem as políticas das prefeituras locais, aumentando a distância das ações entre o vínculo empregatício e a coordenação técnica; 2) o não cumprimento dos horários de trabalho nas áreas indígenas; 3) a maneira discriminatória como os índios são tratados na rede municipal de saúde, por parte do pessoal médico e, por fim, 4) a autonomia dos conselheiros locais de saúde, que estipulam políticas sem que haja um maior dialogo entre eles e as lideranças indígenas.
Entre os Pankararu, o cacique é visto como a pessoa que busca recursos para sua comunidade, enquanto que os pajés ficam responsáveis pelos rituais e cerimônias religiosas. O embate de forças políticas entre os Pankararu se dá, principalmente, nas reuniões dos Conselhos Locais. Nesta instância situam-se as principais pautas e as negociações entre os diversos grupos ou facções locais. Essas reuniões se tornaram importantes, pois decidem onde, e em qual aldeia, se situará um novo posto de saúde, por exemplo, ou como serão alocados os recursos em determinadas áreas.
No entanto, fica explicito o pouco dialogo entre os índios e os órgãos responsáveis pela implementação dos serviços de saúde e de outras políticas públicas, pois os índios são levados a discutir segundo as regras que regem o processo mais amplo, sem que estejam a par destas regras.

Fonte: http://indiospe.blogspot.com.br/

INDIOS ON LINE -vídeo produzido em 2009, em Pankaru

A combinação de índio e tecnologia pode parecer estranha, mas a internet se transformou em um recurso que preserva, registra e divulga a identidade cultural do povo indígena Pankararu. A matéria fala sobre um projeto de inclusão digital nessa tribo que fica localizada no município de Jatobá, interior pernambucano. Através da internet, os índios criaram uma rede chamada "índios On line" e nela eles postam textos, fotos e vídeos sobre os acontecimentos da aldeia.

Cartão Postal de Pankararu - Gean Ramos

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Perda de uma grande Guerreira Pankararu...

No último dia 18.02.2010 Pankararu perdeu mais um de seus "troncos véis", chama-se Maria Emilia e residia na Serrinha, ela já passava dos 100 anos de idade, porém encontrava-se lúcida, consciente e saudável.
Perdemos um grande exemplo de mulher acima de tudo,uma guerreira,uma grande sábia sobre a cultura de pankararu: como os rituais indigenas e o respeito aos encantados. Aprendemos muito com ela, e que seu ensinamentos sejam aproveitados por todos os cabocos.
Tia Maria Emilia DEUS é quem pague e abençõe por tudo que você fez por nós aqui na Terra. Que seu espirito descanse em uma Morada de Paz e seja muito iluminado e abençoado por DEUS E NOSSOS ENCANTADOS.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Pankararu em luto!!

Morre Quitéria Maria, uma das maiores lideranças indígenas de Pernambuco

Os povos indígenas de Pernambuco perderam uma de suas principais lideranças na noite de ontem. Após quatro dias de internação, a índia pancararu Quitéria Maria de Jesus, de 82 anos, faleceu em decorrência de complicações de diabetes, na cidade baiana de Paulo Afonso. Quitéria Binga, como era conhecida, teve importante participação no movimento demarcatório das terras de sua etnia, além de ter sido grande incentivadora da preservação da cultura Pancararu. Pernambucana de Jatobá, Quitéria era Casada e deixa sete filhos, netos e bisnetos.

Entre as principais realizações da líder pancararu, destaca-se a criação da primeira casa de parto e da primeira creche em terras indígenas no País. De acordo com a administradora regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), Estela Parnes, o trabalho desenvolvido por Quitéria Binga era reconhecido internacionalmente. “Ela tinha uma importância realmente efetiva na luta dos índios pela conquista de seus direitos. Há poucos anos, representou o Brasil em um evento mundial no Canadá e sempre que podia estava viajando para levar a causa adiante. Ela era uma lutadora e deixará um importante legado para seu povo”, comentou.

Há dez anos convivendo com a doença, Quitéria vivia na Aldeia Brejo dos Padres, em Jatobá, no Sertão do Estado. “Mesmo com a doença, ela nunca deixou de brigar pelo que acreditava. Enfrentou posseiros, fez vigília e nunca se intimidou com ameaças de ninguém. A Funai perde uma conselheira, uma parceira. Os índios perdem uma mãe e uma guerreira”, acrescentou Estela Parnes. Quitéria Binga deverá ser enterrada em sua cidade natal.

ETNIA - Em Pernambuco, os índios da etnia pancararu vivem em uma área de aproximadamente 8 mil hectares entre os municípios de Petrolândia, Jatobá e Tacaratu, no Sertão do São Francisco. Sua população é estimada em aproximadamente 4 mil pessoas e a base da economia é a agricultura, tendo como principais culturas o feijão, o milho e da mandioca. Os índios também comercializam a pinha, fruta típica da região e têm no artesanato uma fonte de renda complementar.

O centro da reserva, cujas terras foram demarcadas em 1942, é a localidade de Brejo dos Padres, onde vivia Quitéria Binga. Há também diversas outras comunidades importantes como Tapera, Serrinha, Marreca, Caldeirão, Bem-Querer e Cacheado.

fonte:jc online

Pankararu: morre Quitéria Binga, uma das grandes Lideranças de Pankararu

Pankararu : Morre primeira líder indígena do Brasil

Morreu ontem, em Paulo Afonso (BA) a índia da etnia pernambucana Pankararu Quitéria Maria de Jesus, a primeira liderança indígena feminina do Brasil. Ela ficou conhecida por lutar, durante muitos anos, em Brasília, pelos direitos dos índios nordestinos ao reconhecimento e assistência do governo e foi porta-voz dos indígenas da região. Quitéria será enterrada, nesta segunda-feira, às 16h, na Aldeia Brejo, onde viveu. Ela sofria de diabetes e estava internada, com complicações decorrentes da doença, há quatro dias.

fonte:pernambuco.com

sábado, 14 de novembro de 2009

Povos de Pernambuco


" Existem Índios em Pernambuco?"

A resposta negativa a essa pergunta é ouvida da imensa maioria da população, na Escola e até mesmo na Universidade.

O desconhecimento da realidade indígena, em Pernambuco, está associado basicamente à imagem do índio que é tradicionalmente veiculada pela mídia: um índio genérico com um biótipo formado por características correspondentes aos indígenas de povos habitantes na Região Amazônica e no Xingu, com cabelos lisos, pinturas corporais e abundantes adereços de penas, nus, moradores das florestas, de culturas exóticas.
Ou também imortalizados pela literatura romântica produzida no século passado, como nos livros de José de Alencar, onde são apresentados índios belos e ingênuos, ou valentes guerreiros e ameaçadores canibais, ou seja "bárbaros, bons selvagens e heróis" (Silva, 1994). Já na Escola, de um modo geral, o índio é lembrado, afora o primeiro momento do "Descobrimento" em 1500, no início da Colonização e no rosário das datas comemorativas no "Dia do Índio", quando comumente as crianças das primeiras séries do Ensino Fundamental, são enfeitadas a semelhança de indígenas que habitam os Estados Unidos, e estimuladas a reproduzirem seus gritos de guerra!



ATIKUM
População total: 5.025
Localização: Belém de São Francisco, Carnaubeira da Penha, Mirandiba, Salgueiro
Extensão da terra demarcada: 16.290 ha
Posto indígena: PI Atikum
Situação jurídica: Homologada
Há vários registros antigos de índios habitando a região da serra do Umã, As primeiras visitas de representantes do Serviço de Proteção ao Índio àquele grupo ocorreram entre 1943 e 1945.


FULNI-Ô
População total: 3.578
Localização: Águas Belas e Itaíba
Extensão da terra demarcada: 57.739 ha
Posto indígena: PI Fulni-ô
Situação jurídica: Em Identificação
O domínio dos Fulni-ô sobre as terras de Águas Belas é bastante antigo, e desenvolve-se profundamente imbricado com o antigo aldeamento que. originaria o núcleo urbano de Águas Belas.


KAMBIWÁ
População total: 1.578
Localização: Floresta, Ibimirim, Inajá
Extensão da terra demarcada: 31.495 ha
Posto indígena: PI Kambiwá
Situação jurídica: Homologada
Os Kambiwá - grupo indígena de filiação lingüística não determinada - habitam a região das serras Negra e do Periquito (as quais constituem o mesmo alinhamento orográfico, situado na região do Vale do Moxotó.

KAPINAWÁ
População total: 2.686
Localização: Buíque
Extensão da terra demarcada: 12.403 ha
Posto indígena: PI Kapinawá
Situação jurídica: Homologada
Os Kapinawá são descendente dos índios que habitavam a aldeia de Macaco, referida desde o século XVIII (Anônimo, 1746 e Coutto, .1902: 170) como os índios Prakió ou Paratió.

PANKAIUKÁ
População total:
Localização: Inajá
Extensão da terra demarcada:
Posto indígena:
Situação jurídica: Em estudo
em fase de estudo

PANKARÁ
População total: 1.025
Localização: Carnaubeira da Penha e Floresta
Extensão da terra demarcada:
Posto indígena:
Situação jurídica: Não estudada

PANKARARU
População total: 5.880
Localização: Jatobá, Petrolândia e Tacaratu
Extensão da terra demarcada: 8.100ha
Posto indígena: PI Pankararu
Situação jurídica: Homologada
Os Pankararu fazem parte do grupo mais amplo de “índios do sertão” ou Tapuia, caracterizado historicamente por oposição aos Tupis da costa e ao Jê dos cerrados à oeste
PIPIPÃ
População total:
Localização: Floresta
Extensão da terra demarcada:
Posto indígena:
Situação jurídica: Não estudada
Hoje os Pipipã se afirmam em 2.050 índios espalhados na ribeira do Pajeú, entretanto, os dados atuais da Funasa registram uma população de 1.312 índios.

TRUKÁ
População total: 1.333
Localização: Cabrobó
Extensão da terra demarcada: 9.688 ha
Posto indígena: PI Truká
Situação jurídica: Delimitada
Os Truká vivem na Ilha da Assunção no médio rio São Francisco no município de Cabrobó estão estimados em 3.463 e tem seu território com uma superfície de 5.769hectares.

TUXÁ
População total: 1.630
Localização: Inajá
Extensão da terra demarcada: 164 ha
Posto indígena: Não existe
Situação jurídica: Adquirida pela CHESF
A população da AI Tuxá de Inajá é composta por 15 famílias Tuxá transferidas de terras em Itacaratu/PE, submersas pelo lago da hidrelétrica de Itaparica.

XUKURU
População total: 6.363
Localização: Pesqueira
Extensão da terra demarcada: 27.555 ha
Posto indígena: PI Xukuru
Situação jurídica: Homologada
em fase de estudo.

A situação dos povos indígenas: opressões e resistências

A desinformação, os equívocos e os pré-conceitos que motivam a violência cultural contra os povos indígenas, resultam das idéias eurocêntricas de "civilização", do etnocentrismo cultural e da concepção evolucionista da História, onde, no presente, os indígenas são classificados como "primitivos", possuidores de expressões culturais exóticas ou folclóricas ainda preservadas, mas que determinadas a serem engolidas pelo "progresso" da nossa sociedade capitalista.

Os atuais estudos sobre os povos indígenas têm revelado, além da antigüidade da presença desses povos, a infinita riqueza da diversidade e pluralidade das sociedades nativas encontradas pelos colonizadores. Tendo sido superado o etnocentrismo que condicionava as informações e referências anteriores, as pesquisas atuais vêm descobrindo a complexidade e a especificidade dos povos indígenas, seus projetos políticos, as relações decorrentes com a Colonização, as estratégias da resistência indígena etc..

A Colonização deixou de ser vista como um movimento único, linear, de puro e simplesmente extermínio dos povos considerados passivos, submissos, impotentes, mas sim como um complexo jogo de relações, embates, negociações e conflitos, desde a chegada dos primeiros europeus no século XVI até os dias atuais, onde povos foram exterminados brutalmente, e outros elaboraram diferentes estratégias para sobreviverem até os dias de hoje. Na região mais antiga da invasão portuguesa, hoje conhecida como Nordeste, a Colonização foi iniciada no litoral com a exploração do pau-brasil e, em seguida, com a implantação da lavoura da cana-de-açúcar, em territórios de povos Tupi que foram exterminados, dispersos ou forçados a fugirem para o interior. Todavia, outros povos não só reagiram – através das guerras – às invasões de suas terras, como permaneceram nelas, como é o caso dos Potiguara que habitam o litoral do atual Estado da Paraíba.

A invasão do interior, hoje regiões do Agreste e Sertão, iniciou-se em fins do século XVI, com as fazendas de gado e posterior cultivo do algodão, e também encontrou forte resistência dos povos Jê que constituíam uma grande diversidade cultural. Diferentemente dos Tupi do litoral, não habitavam em ocas e tabas, mas em furnas, abrigos naturais próximos às fontes de água. Em razão da seca que sempre assolou o interior, organizados em grupos, deslocavam-se então se fixando em enclaves onde podia ser encontrada a caça, garantindo a subsistência em áreas férteis, que desde o início passaram a ser disputadas com os Colonizadores que procuram – até os dias de hoje – expulsar os antigos e tradicionais moradores indígenas, apoderando-se de suas terras.

A política indigenista colonial portuguesa procurou regulamentar a utilização da mão-de-obra e as invasões dos territórios indígenas, dentre outras medidas, com o estímulo a um maior número de moradores não-índios e a transformação de antigas aldeias de índios em vilas, administradas em "igualdade" por indígenas e brancos, legitimando assim que esses últimos consolidassem as invasões às terras das aldeias em meio aos protestos e a grande resistência indígena.

fonte:www.ufpe.br/nepe/povosindigenas/pankararu.htm